terça-feira, 21 de setembro de 2010

“... Onde está o Cordeiro?”

















Referência: Gênesis 12 ao 22

Abrão era um homem muito abençoado. Casado com Sarai foi conduzido por Deus a sair de sua parentela, de sua terra e seguir o ide do Senhor. Durante sua caminhada, Deus o prosperou grandemente ao ponto de haver desavenças entre seus pastores e os pastores de Ló, seu sobrinho.
Abrão tinha tudo o que pudesse pensar ou imaginar. Mas o que ele tinha de mais precioso era a promessa de uma descendência maior que as estrelas dos céus e a areia da praia.
Havia um grande empecilho para que isso acontecesse, pois Sarai era estéreo e ambos já avançados em idade.
Se hoje uma situação como essa é delicada e humilhante diante da sociedade, imagine dentro do contexto da época...
As pessoas deviam dizer:

“- Este é o Deus que você serve?”
“-É este Deus que te dará filhos?”
“-Como você pode ter filhos sendo você e sua mulher tão avançados em idade?”


Consigo imaginar os olhares e comentários sobre todos os seus posicionamentos. Sobre a fé que professavam, sobre a promessa que havia sobre eles e ainda mais... Sobre o Deus a quem serviam.
Eu consigo imaginar a dor e sofrimento de Sarai, sem poder gerar um filho. Sem conseguir tirá-los de tamanho constrangimento. Sua dor e vergonha eram tão grandes que em seu desespero entregou sua serva a Abrão para que ela desse-lhe um filho e o livrasse de tamanha afronta.
Vejo Sarai, como me vejo em muitos momentos da vida... Tentando “ajudar” a Deus. Como se do meu jeito, fosse apressar as promessas.
Ela tinha tanta sede de ver sua família liberta daquele julgo que se precipitou. E não sendo isso que Deus havia prometido, Sarai foi intimamente humilhada por Hagar, sua serva, após o nascimento de Ismael. Afinal, uma serva conseguira dar uma herança a Abrão, enquanto Sarai apenas envelhecia e perdia todas as suas esperanças.
Eu consigo visualizar o sofrimento e tristeza de Sarai. Cobiçosa ao ver Ismael correndo e brincando. As lágrimas que desciam em sua face toda vez que Abrão abraçava seu filho e o amava. O coração que gemia por honra.
O Senhor então reafirma sua aliança e troca o nome de Abrão e Sarai e os chama agora de Abraão e Sara...
O Senhor aparece e diz que naquela mesma época do próximo ano, Sara dará a luz a um filho. Seu nome será Isaque e através dele o Senhor perpetuará sua promessa. Ela já estava tão desconsolada e descrente que sorriu... Pois já sendo velha, como poderia gerar um filho? Mas então veio a resposta perfeita do Senhor:

“Existe alguma coisa impossível para Deus?...”

E sabendo disso Sara engravidou...
Eu consigo ver o sorriso em seu rosto e como ela gostava de andar entre as pessoas e mostrar aos que a haviam envergonhado, o fruto de sua promessa. Consigo ouvir seus cânticos de adoração e sua devoção ao Senhor.
Quando nasci Isaque, Sara mostra-nos claramente o quanto seu coração exalava o doce perfume da adoração:

“Deus me encheu de riso, e todos os que souberem disso rirão comigo...”

O que precisamos entender é que Isaque era muito mais que um filho. Era um selo de amor que vinha da parte de Deus. Era uma resposta contundente do poder do Senhor a quem eles professavam crer. Era um troféu de vitória em meio a toda humilhação. Isaque era uma marca irrefutável da credibilidade das palavras de Abraão sobre Deus.
Isaque cresce e com ele o amor e a felicidade de seus pais. Então o Senhor faz um pedido a Abraão:

“Tome seu filho; Isaque, a quem você ama, e vá para a região de Moriá. Sacrifique-o ali como holocausto num dos montes que lhe indicarei.”

Sacrificar Isaque não era apenas matar seu filho, era algo muito mais profundo e desafiador. Aquela entrega significava:
Voltar a ser motivo de zombaria entre todos.
Ver sua fé desafiada outra vez pelos incrédulos:

“Este é seu Deus Abraão, que lhe dá e tira?”

Significava ser chamado de assassino e até motivo de profunda tristeza para Sara.
Poderíamos enumerar infinitos significados de sua renúncia, mas o mais profundo deles não estava ligado a Isaque, mas a sua própria vida e de Sara. Retornar a vergonha, ao choro e abrir mão de toda a alegria que reinava em seus corações...
Abraão caminhou por três dias quando avistou o monte que o Senhor havia lhe ordenado. Colocou a lenha sobre os ombros de Isaque e ordenou aos seus servos que os aguardassem ali, pois adorariam e retornariam.
Enquanto subiam, Isaque lhe faz a pergunta:

“Meu pai!... As brasas e a lenha estão aqui, mas onde está o cordeiro para o holocausto?”

Abraão responde que o Senhor lhes dará o cordeiro, mas ao mesmo tempo conforme avançamos no texto percebemos que em nenhum momento ele deixou de preparar aquele sacrifício, chegando ao ponto de amarrar Isaque sobre as lenhas e levantar a faca. Mas logo é interrompido pelo anjo que não permite que Isaque seja sacrificado, pois Deus apenas queria ver o que havia no coração de Abraão. E então lhes dá o cordeiro para o holocausto.
Este texto de profunda reflexão me fez pensar em toda a sujeira que exala dos nossos púlpitos.
Pregações que usam deste texto para dizer da grande oferta que Abraão deu ao Senhor. Mas entendam Isaque não se tratava de uma oferta e sim de renúncia total.
Lembrem-se, Abraão era rico e prosperava por onde andava. Cem ou todos os seus cordeiros seria chamada de uma oferta, mas entregar seu filho e toda a sua reputação não era uma simples oferta, mas uma decisão que mudaria toda a sua vida, que impactaria gerações e gerações. Que o feriria profundamente até a morte.
Quando vejo a entrega de Abraão, começo a pensar na essência desta mensagem que se trata em não se preocupar com sua reputação ou com seus interesses, mas sim em agradar ao Pai, mesmo que isso signifique entregar algo que Ele mesmo te deu após anos de promessas, choros e tristeza.
Quando leio esta mensagem vejo quanta desobediência e egoísmo existe em mim. Enxergo a falta de posicionamento e entrega.
Não amados, não se trata de mil ou cem mil reais. Trata-se de um coração quebrantado e contrito. Trata-se de intimidade real com Deus. Trata-se de perseverança e fé. Trata-se de renunciar todas as suas raízes e até sua descendência por uma avassaladora obediência.
Significa colocar Deus aonde Ele deve estar... NO CENTRO DA SUA VIDA!
Significa crer no cordeiro, mas estar pronto para imolar a Isaque.
Oro ao Senhor para que o meu coração seja derramado como o de Abraão. Que eu nunca me preocupe com minha reputação e vontade, mas sim que esteja sempre escondido n’Ele, para honra d’Ele e para Sua infinita glória e louvor.


Que Deus nos perdoe.

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