domingo, 28 de novembro de 2010

Ter VS Ser














Referência: Mateus 19 versículo 16 ao 30

O que importa em nossa sociedade atual é o TER.
Cada cidadão é avaliado por suas propriedades e posses. E através delas são tratados de forma mais, ou menos honrosa.
No hospital onde trabalho essa situação se torna evidente em nosso refeitório. Os médicos, gerentes e supervisores têm um local separado, onde os pratos são de porcelana, existem mesas de restaurantes e outra mesa com os alimentos. Enquanto os demais, como eu, comemos em bandejas esperando por longo tempo na fila para sermos servidos pelos funcionários da cozinha. Sentamos em grandes mesas todos juntos.
Quando entro ali, fica evidente o TER.

O poder para as pessoas está apenas nesse verbo. E quando conjugado no presente no indicativo se torna a chave para que as portas mais importantes dessa terra se abram.
O que mais me intriga é perceber que esse aspecto tem invadido de forma incisiva os nossos templos e especialmente nossas mentes.
Lembro-me de ocasiões como cultos onde todos os obreiros têm a obrigação de estarem, pois o bispo ou pastor irá ministrar. Então aquele culto se torna especial, não porque Deus manifestará a Sua glória, mas pela personalidade que o “representará”. Assim o TER ecoa sobre as igrejas que estão surdas para o SER.

Hoje a imagem de um homem de Deus está em seu poder financeiro. As pessoas dizem:

“Veja que irmão abençoado. Ele é próspero. Tem carros e casas. Este é um homem de Deus.”

Olho para o púlpito da igreja e vejo cadeiras de couro e madeira envernizadas. Para quem são? Para as prostitutas, os sodomitas, os mendigos, as crianças ou qualquer perdido que se entregar ao Senhor naquele dia?
Não. São para o conforto daqueles que segundo o povo são os anjos da igreja. Afinal, eles são diferenciados, porque TÊM um anel ou quem sabe uma credencial que os fazem importantes entre todos. Em suas mesas água mineral e taças. Enquanto um prega, os outros estão sentados sobre as cadeiras em lugar de destaque acima da igreja.
E muitos podem dizer que estão ali por SEREM homens de Deus. Mas o que nos faz crer que assim são? Será nosso convívio em todos os seus ciclos sociais, ou apenas o reconhecimento popular? Porque se assim for, estamos ainda valorizando o TER.
Aquele que é não precisa de destaque, pois é conduzido pelo SER sublime, que é Cristo.

“O SENHOR conhece os pensamentos do homem, que são vaidade.” - Salmos 94 versículo 11

“Eu TENHO o dom do louvor.”

Outro diz:

“Eu TENHO o dom da palavra”

Eu TENHO dom de linguas, de profecia, de revelação, de interpretação de linguas e até o dom do amor. Acreditem até o SER tornou-se o TER. Eu TENHO, eu TENHO e eu TENHO.

“Como dizes: Rico sou, e estou enriquecido, e de nada tenho falta; e não sabes que és um desgraçado, e miserável, e pobre, e cego, e nu;” – Apocalipse 3 versículo 17

E assim seguimos em nossa falsa fé, criticando a idolatria do mundo sem perceber que o idolatramos.
Enquanto TENHO, nada SOU, mas quando SOU tudo TENHO.

“E Jesus disse-lhes: Em verdade vos digo que vós, que me seguistes, quando, na regeneração, o Filho do homem se assentar no trono da sua glória, também vos assentareis sobre doze tronos, para julgar as doze tribos de Israel.
E todo aquele que tiver deixado casas, ou irmãos, ou irmãs, ou pai, ou mãe, ou mulher, ou filhos, ou terras, por amor de meu nome, receberá cem vezes tanto, e herdará a vida eterna.” – Mateus 19 versículos 28 e 29


Nesta passagem Jesus nos ensinou que o TER nunca será maior que o SER.
Porque quando SOU fiho não TENHO herança, mas ela é minha por direito.
Quando TENHO herança, não TENHO pai, pois como a possuirei sem que ele não esteja comigo?
Quando SOU humilde, sou exaltado . Não porque busco, mas proque ela me alcança.
Quando TENHO exaltação, não me humilho, pois para que descerei ao vale estando no monte?
Quando SOU próspero, as portas estão sempre abertas pra mim.
Quando TENHO prosperidade, sempre quero mais, pois o que farei se algum dia ela se findar?
Quando SOU abençoado, tudo acontecesse no tempo e da forma certa.
Quando TENHO bençãos, estou sempre preocupado em perdê-las, pois será que terei outras como essas?
Quando SOU de Cristo, Ele governa sobre mim e todas as minhas atitudes, palavras e pensamentos são d’Ele. Assim espero pela glória que me será revelada.
Quanto TENHO Cristo, usufruo de seus benefícios, pois existirá algo melhor que as riquezas que Ele deixou nesta terra?

O que preciso TER se o SER sublime em majestade e glória vive em mim?

Igreja desista de seus atos de perverção e ouçam a voz do Senhor. Ele deseja apenas o nosso coração.
Será que nós também desejamos o d'Ele?

“E eis que, aproximando-se dele um jovem, disse-lhe: Bom Mestre, que bem farei para conseguir a vida eterna?
E ele disse-lhe: Por que me chamas bom? Não há bom senão um só, que é Deus. Se queres, porém, entrar na vida, guarda os mandamentos.
Disse-lhe ele: Quais? E Jesus disse: Não matarás, não cometerás adultério, não furtarás, não dirás falso testemunho;
Honra teu pai e tua mãe, e amarás o teu próximo como a ti mesmo.
Disse-lhe o jovem: Tudo isso TENHO guardado desde a minha mocidade; que me falta ainda?
Disse-lhe Jesus: Se queres SER perfeito, vai, vende tudo o que TENS e dá-o aos pobres, e TERÁS um tesouro no céu; e vem, e segue-me.
E o jovem, ouvindo esta palavra, retirou-se triste, porque POSSUÍA MUITAS PROPRIEDADES.
Disse então Jesus aos seus discípulos: Em verdade vos digo que é difícil entrar um rico no reino dos céus.
E, outra vez vos digo que é mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que entrar um rico no reino de Deus.” – Mateus 19 versículo 16 – 24


Ele queria TER.

“... QUE BEM FAREI PARA CONSEGUIR(TER) A VIDA ETERNA?” versículo 16
“... TUDO ISSO TENHO GUARDADO DESDE A MOCIDADE, QUE ME FALTA AINDA?” – versículo 20


Quando Jesus pede que ele se disfaça de tudo que TEM para SER perfeito, ele se entristece, pois não queria SER perfeito, mas TER a perfeição, sem imaginar que o único Perfeito estava diante d’Ele.

“E, OUTRA VEZ VOS DIGO QUE É MAIS FÁCIL PASSAR UM CAMELO PELO FUNDO DE UMA AGULHA DO QUE ENTRAR UM RICO NO REINO DE DEUS.” – versículo 24.

Nos perdoe e Vem sobre nós Senhor.

sábado, 13 de novembro de 2010

Vivos-Mortos



Referências: João 3, 4 e 1º João 5

“... Conheço as tuas obras, que tens fama de que vives, e estás morto.” – Apocalipse 3 versículo 1

Intitulamo-nos como crentes, católicos, protestantes, apostólicos, pentecostais, evangélicos, luteranos, assembleianos, carismáticos e toda sorte de gêneros e adjetivos que brotam de nossas incessantes divisões. O que não é atual. Penso quando Jesus esteve nesta terra, com os saduceus, doutores da Lei (escribas), fariseus, zelotas, essênios, toda sorte de seitas e idolatria.
O interessante é que Ele pregou a eles como pregou aos neófitos.
Lendo João 3 vemos Cristo instruindo a Nicodemos, um fariseu príncipe dos judeus. Sem que ele entendesse o repreende:

“... Tu és mestre de Israel, e não sabes isto?” versículo 10

E você e eu?... Será que sabemos sobre isto?

Compreendemos a necessidade de nascermos verdadeiramente em Cristo?
Não se trata de vãs confissões, mas de profundidade, inocência, amor, simplicidade, temor e obediência.
Entendemos o que Ele quer que entendamos?
Há clamores e choro derramados sobre nós, pois estamos enxertados nas trevas.
Quando ficamos expostos as trevas enxergamos na escuridão. E quanto volta a luz? Os olhos ardem e não conseguimos sequer abri-los.
Será que isso tem acontecido com você?
Será que diz estar na luz, quando está em trevas?
Quem sabe acostumou-se as trevas e despreza a luz...

“... Se, portanto, a luz que há em ti são trevas, quão grandes trevas são!” - Mateus 6 versículo 23

Talvez viva pra morrer e diga: “morro para viver.”
Quem sabe o pecado se transformou em iniqüidade. E a vida em morte.
Seu espírito geme por Cristo.

Deitando, dormindo, acordando, trabalhando, estudando e julgando-se como vivo ainda morto.
Preocupado com os títulos, condecorações, reconhecimentos e sem Cristo.
Sem quebrantamento, temor, compaixão, piedade, misericórdia, arrependimento, adoração, comprometimento, caráter, decência, amor e obediência... E se assim vive, está morto.
Pois o que nos afasta do amor de Deus se não o pecado?
Está sepultado neste mundo crendo estar vivo em Cristo. Vivendo uma ilusão pseudo-cristã que o impulsiona para as garras das trevas.
O mundo está sepultado, enterrado, está morto no maligno, assim como todos aqueles que servem as suas concupiscências e prazeres.

“... e que todo o mundo jaz no maligno” – 1º João 5 versículo 1

Se professo fé em Cristo, como posso ser escravo deste mundo?

O pecado nos consome. Estamos a todo o momento preocupados com a reputação e opiniões desta terra. Agradamos o líder, pastor, a igreja, a sociedade sem jamais agradar a Cristo. Pois quem dentre nós morreu por nossos próprios pecados?
Nossos carros estão mais confortáveis, nossas casas mais imponentes, nossas roupas mais elegantes e nossos pecados mais disfarçados. Nossas mazelas e iniqüidades putrefazem nossa alma, destroem nosso espírito e perecem nossos corpos. Pois...

“... o salário do pecado é a morte...” - Romanos 6 versículo 23

O império do inimigo não tem sido fora, mas dentro.
Somos infectados pelo vírus da vontade, que destrói nossa força e perseverança. Então se transforma em desejo. O desejo por sua vez mina nossa intimidade e nos cega para o Reino. O desejo se transforma em pecado. E o pecado destrói a fé, os sonhos e o crescimento. E afastados de nosso Antídoto que é o Sangue, agonizamos lentamente na dolorida morte que nos leva aos braços das trevas.
Achamos que estamos vivos, sem sabermos o que é vida. Pois não há vida se não em Cristo. E não há Cristo sem arrependimento.

“Disse-lhe a mulher: Senhor dá-me dessa água, para que não mais tenha sede, e não venha aqui tirá-la.
Disse-lhe Jesus: Vai, chama o teu marido, e vem cá.
A mulher respondeu, e disse: Não tenho marido. Disse-lhe Jesus: Disseste bem: Não tenho marido;
Porque tiveste cinco maridos, e o que agora tens não é teu marido; isto disseste com verdade.” – João 4 versículos 15 – 18


Ela desejou, mas para receber necessitou de arrependimento, renuncia e confissão. Pois como haveria vida se a morte ainda estivesse nela?

“Porventura deita alguma fonte de um mesmo manancial água doce e água amarga?” - Tiago 3 versículo 11.

Se desejamos uma vida cristã real e impactante, onde Cristo reflita Sua glória e impacte as multidões. Então necessitamos de um desejo ardente de santidade, voltarmos ao Senhor, nos cobrirmos de cinzas e jamais retrocedermos.

“E o testemunho é este: que Deus nos deu a vida eterna; e esta vida está em seu Filho.” – 1º João 5 versículos 11

Se estivermos genuinamente n’Ele então jamais seremos levados pelos manjares da perdição;

“Qualquer que é nascido de Deus não comete pecado; porque a sua semente permanece nele; e não pode pecar, porque é nascido de Deus” – 1º João 3 versículo 9

Que Deus nos perdoe.

Para Sua glória e para Seu louvor.

“De sorte que fomos sepultados com ele pelo batismo na morte; para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos, pela glória do Pai, assim andemos nós também em novidade de vida.” - Romanos 6 versículo 4

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

O amor de Mamom

















Que amor é esse que nos constrange? Que amor é esse que nos molda, nos capacita, nos exorta e nos eleva em Sua presença?
Um amor tão profundo e impactante que não tenho capacidade para explicá-lo, mas rogo ao Senhor que ao término deste texto, Ele nos instrua e nos leve a um entendimento profundo.

Lembro-me quando criança, que meu pai saía para trabalhar, enquanto minha mãe cuidava de mim e dos meus irmãos. Como eram bons esses dias que eu era intensamente amado e cuidado... Lembro-me de muitas vezes passar horas em seu colo, sendo mimado.
Havia palavras de amor, mas definitivamente as demonstrações as selavam.
Os anos passaram-se e logo minha mãe resolveu trabalhar para ajudar nas despesas de casa. Então os carinhos, o tempo de atenção e as demonstrações de amor ficaram escassos. Com tudo que o trabalho lhe exigia, chegava cada dia mais cansada...
Quando a questionava, sempre dizia que trabalhava para nos dar condições melhores, comprar presentes, roupas e brinquedos. Como se quisesse suprir a ausência e a falta que fazia...
Eu era sempre mais presenteado, já que cuidava dos meus irmãos e tinha sempre uma grande responsabilidade. Mas talvez fosse pelo fato de ter perdido toda a atenção e demonstração de amor que recebia outrora.
Cresci e foi inevitável a percepção de que a maioria das famílias vive assim. Os pais trabalham com um incansável desejo de dar a seus filhos toda a comodidade e conforto que este mundo pode oferecer. Sempre que são questionados sobre a ausência e desatenção, respondem prontamente:

“Filho (a) o pai (a mãe) tem que trabalhar para poder comprar a bicicleta que você tanto quer, ou o videogame, ou qualquer outra coisa que você precise...“

Então crescemos com o entendimento de que todo o amor que nossos pais podem demonstrar está resumido aos presentes e conforto. E esse conceito nos segue por todas as áreas da vida.
Ao me converter não pude deixar de fazer o mesmo com o Senhor. Então sempre que queria alguma demonstração do cuidado e amor de Deus, esperava ansioso por um grande presente. Lembro-me que no início da minha vida profissional passei por grandes perseguições com um chefe e logo pedi ao Senhor que demonstrasse Seu amor. E neste conceito que já era bem real na minha vida familiar, esperei que o mesmo acontecesse na profissional;
Sempre que meu chefe queria demonstrar satisfação e respeito ao meu trabalho me bonificava com algum presente ou quantias em dinheiro.
Percebo que toda a minha vida estava dentro de uma demonstração de amor totalmente inversa daquilo que o Senhor tinha pra mim...

Estamos na era onde existe um amor manifestado e infelizmente não é o do Pai. Amamos os benefícios e não o Beneficiador... Estamos amando a Mamom.

Um amor que não olha nos olhos, mas nas mãos a procura do que o Pai tem a nos oferecer. Porque neste modelo de amor, quanto maior for o presente, maior ele será.
Vamos ao Senhor na expectativa exclusiva de recebermos d’Ele. E sempre que nossa consciência nos acusa nos munimos de versículos isolados para valermos de um direito que não nos será dado enquanto não entendermos que não existe outro Amor além d’Ele.
Assim como fazemos com nossos pais, filhos, empregos, namoros ou casamentos, nós fazemos com o Senhor.
Estamos substituindo as demonstrações, pelos benefícios de Mamom e assim ao invés de abraços, presentes, ao invés de conversas, cartões, ao invés de beijos e atenção, conforto e luxo.
Nosso amor está corrompido e deturpado. Os nossos cultos estão cada vez mais financeiros e pouco espirituais. Nossa forma de demonstrar amor tem sido nas salvas e votos especiais que mais servem para pagamento de nossa total negligência e egoísmo.

O próximo? Porque gastar meu tempo na expectativa de que Cristo resplandeça em mim e reflita Sua glória sobre eles? Basta que eu lhe dê um livro cristão ou uma Bíblia e tudo bem.

Deus? Pra que amá-Lo? Por que amá-Lo? Por que gastar horas aos Seus pés?

No final estamos preocupados em quanto eu posso dar para Deus, mais do que o quanto eu quero estar em Deus. Quero comprar a minha total ausência de oração, jejum, busca e adoração, dando-Lhe dinheiro e presentes, obviamente preocupado também com o que Ele tem para mim, afinal se Ele me ama me retribuirá com presentes maiores e mais caros. E assim sigo dizendo amar a Deus, sem jamais tê-Lo amado.
Sigo em um amor extremamente ausente e sem envolvimento...

Minha mãe conseguiu o que queria. Mas nada substituiu o tempo, amor e afeto que precisávamos. Pois nada substitui o amor de um pai por um filho ou de um filho por um pai.

Deus não nos deu carros e mansões para demonstrar Seu amor, mas Seu único Filho, afim de padecer até a morte, para que fossemos resgatados. E sobre Ele foram levadas nossas enfermidades, pecados, tristezas e escravidão. E rasgando-nos o véu deu livre acesso ao Pai.

Qual valor, qual moeda, ou qual presente seria capaz de substituir esse amor?

Pois se me tivesse mandado carros e mansões, certamente teria conforto e luxo, mas jamais veria Sua face...
Deus não valoriza benefícios, mas relacionamentos.

Que não sejamos corrompidos pelas riquezas e esqueçamo-nos da glória que nos está sendo preparada. Pois...

“Nenhum servo pode servir dois senhores; porque, ou há de odiar um e amar o outro, ou se há de chegar a um e desprezar o outro. Não podeis servir a Deus e a Mamom.” – Lucas 16 versículo 13.

“Porque o amor ao dinheiro é a raiz de toda a espécie de males; e nessa cobiça alguns se desviaram da fé, e se traspassaram a si mesmos com muitas dores.” – 1º Timóteo 6 versículo 10

“Ai deles! Pois seguiram o caminho de Caim, buscando o lucro caíram no erro de Balaão, e foram destruídos na rebelião de Corá” – Judas 1 versículo 11

Que este não seja você ou eu para glória do Senhor.